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quinta-feira, 18 de abril de 2013

EM SANTARÉM, ALUNOS DA ÁREA RURAL USAM LANCHA PARA IREM À ESCOLA

 
 
Cristiane Capuchinho.
Do UOL, em Santarém (PA).


                                                                                                             Cristiane Capuchinho/UOL Lancha leva crianças para escola em comunidade de Arapixuna, em Santarém (PA)
 
Lancha leva crianças para escola em comunidade de Arapixuna, em Santarém (PA)

Às 7h15 da manhã de sexta-feira, uma lancha escolar sai do porto de Picães, na comunidade de Arapixuna, em Santarém (a 699 km de Belém). Nos próximos 45 minutos, a lancha recolherá 14 crianças rumo às aulas na escola municipal de ensino fundamental Nossa Senhora de Nazaré. Essa é a única forma desses alunos, de 6 a 14 anos, atravessarem nesse período do ano o rio Arapiuns, que os separa da sala de aula. Na lancha, movida a gasolina, coletes salva-vidas são distribuídos pelos bancos que acolherão os estudantes durante a viagem. 

 

No Pará, mais de 165 mil alunos vão para escola em barcos

 
É ela quem coloca a rampa entre o barranco e o barco para que os alunos entrem na lancha. Leida também ajuda as crianças a colocarem seus coletes salva-vidas após sentarem em seu banco. Atenta ao equilíbrio da embarcação, a auxiliar pede, às vezes, que as crianças mudem de lugar no barco quando fazem um grupinho apenas de um lado da lancha. Com a repórter do UOL e uma câmera a bordo, as crianças estavam quietas durante a viagem. Parte da calmaria pode ser atribuída ao sono da manhã, parte à vergonha de uma pessoa estranha e parte por característica. "Eles são calminhos mesmo", confirma Leida.

Mais velhos, os estudantes da comunidade de Tucumatuba, que vão para  a escola de ensino fundamental Sant'ana, já não são tão calados durante o trajeto do barco. Para os 15 alunos matriculados da 6ª série do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, o barco é lugar de encontro e de brincadeiras.
 
Com o forte barulho do motor a diesel no barco Delton Junior 2, os alunos que entram nas duas paradas sentam ao lado dos amigos e mudam de lugar durante a viagem para poder conversar. No fundo do barco, o auxiliar Altino Gamboa Teixeira garante um galão de água para a garotada. "Nesse horário [perto do meio-dia], muitos trazem lanche ou alguma coisa para comer na viagem", explica. O caminho, vencido em cerca de 30 minutos, leva à escola polo, a única a oferecer aulas do ensino fundamental 2 e do ensino médio na região. 

 

Período de cheia


O transporte escolar aquaviário é essencial nessa região de rios, sobretudo na época das cheias –ou inverno, como é chamado no Pará o período de chuvas. No verão, época de seca, no entanto, tudo muda. Com o rio muitos metros mais baixo, a lancha oferecida pelo MEC (Ministério da Educação) com seu potente motor Yamaha 90 não pode ser usado no trecho necessário para alcançar a escola da comunidade de Picães. É aí que entram em ação os músculos e as duas rabetas –barcos pequenos—do comandante e da auxiliar.

A Lagoa do Macaco, que está na frente da escola Nazaré, é atravessada por pontes feitas de madeira e montadas por Leida e Mireno de Aquino Gamboa Filho, conhecido como Pedro. Os alunos das áreas mais próximas podem, assim, vir a pé. Aqueles que ainda precisam atravessar área alagada são buscados com as rabetas, que têm motores menores e são também movidos a gasolina --e assim podem usar o combustível que o município fornece.

No caso dos alunos de Tucumatuba, os irmãos Gamboa trocam o barco por uma "bajara", uma embarcação menor capaz de atravessar áreas alagadas de pouca profundidade. Mesmo assim, os alunos têm que andar um longo trecho, pois os portos não são os mesmos, explica o comandante Ailton. Ailton trabalha há cinco anos com o transporte escolar. O comandante entrou na licitação da prefeitura e trabalha com os barcos da família, que mora da comunidade. O município de Santarém tem hoje 70 barcos e 15 lanchas que atendem 58 escolas de educação infantil, ensino fundamental e médio da região, segundo informações da Secretaria Municipal de Educação. Conforme o local da comunidade e a dificuldade de acesso, as viagens podem durar até 2h30.


Reportagem retirada na íntegra:

 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Série "Fora da Escola": Canal Futura


Educação no campo
 
Canal Futura: série sobre crianças fora da escola mostra desafios da educação no meio rural
 
Brasil, 01 de outubro de 2012
Um dos maiores desafios para o acesso a educação básica brasileira é a dificuldade de acesso de professores e alunos às escolas de áreas rurais. Isso acontece principalmente nas regiões Norte e Nordeste do país. Em muitas cidades, as escolas não são suficientes para atender aos alunos em locais próximos a suas casas.
 
Segundo uma pesquisa realizada pelo IBOPE, em 2010, 10% dos estudantes que vivem nas zonas rurais levam mais de uma hora para chegar até a escola todos os dias.
 
O primeiro relatório global sobre as crianças fora da escola lançado pela UNICEF aponta que, no período de dez anos, cerca de 37 mil escolas rurais foram fechadas em todo o país.
 
Para a coordenadora executiva da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Iracema Nascimento, há um número muito alto de crianças de educação infantil, estudantes do ensino fundamental, médio e jovens do EJA que estudam em escolas muito distantes de suas residências. "Isso faz com que essas crianças e jovens tenham que percorrer longos percursos para chegarem até a escola, sendo que há crianças muito pequenas tendo que pegar ônibus com uma hora e meia de trajeto".
 

"Ter projetos de transporte escolar é necessário, é fundamental. E muitas iniciativas vêm sendo feitas inclusive para oferecer transporte que não seja só o tradicional. Mas isso
não exclui a necessidade de construção e de reforma em escolas nesses locais", afirma Iracema. Este foi o tema da segunda reportagem da série de reportagens do Canal Futura   "Fora da escola”.