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quinta-feira, 5 de março de 2015

RIO NA CONTRAMÃO DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA: CRESCE A PROCURA POR ESCOLAS ESPECIAIS.



04/03/15 06:30 - 04/03/15 12:34.

Pedro Zuazo.


Ao constatar que a escola regular onde seu filho estava matriculado não contava com estrutura e nem profissionais preparados para receber um aluno especial, o autônomo Sérgio Ricardo Meira de Souza, de 36 anos, tomou uma decisão: transferiu o menino para uma escola especial. Este é apenas um exemplo de uma preocupante tendência que ocorre na rede municipal de ensino do Rio: na contramão da proposta de educação inclusiva, o número de matrículas de portadores de deficiência em classes comuns cai, enquanto cresce a procura pelas classes especiais.

— Vi que meu filho não estava evoluindo. Não tinha nem mediador para ele, o único jeito foi fazer a transferência — diz Ricardo, que mudou o filho da Escola Municipal Tia Ciata, no Centro, para a Escola Especial Municipal Francisco de Castro, no Maracanã.

A educação inclusiva — que prevê a universalização do acesso à educação básica na rede regular de ensino — é uma das metas do Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado pela presidente Dilma Rousseff no ano passado e com vigência até 2024.

Na rede municipal do Rio, o número de matrículas de alunos especiais em classes comuns vinha subindo desde 2007, mas começou a cair nos últimos anos, como mostram os dados do Censo Escolar. De 2012 para 2013, caiu de 58,4% para 56,6%. Em números absolutos, foram 229 matrículas a menos. O contrário aconteceu com o número de matrículas em classes especiais: no mesmo período, subiu de 34,8% para 36,8%. Trocando em miúdos, foi uma injeção de 278 alunos a mais nas classes especiais.

Além da Escola Tia Ciata, pais de alunos especiais enfrentam dificuldades em pelo menos duas outras instituições da rede regular: Escola Municipal Júlio de Castilhos, na Gávea, e Escola Municipal Friedenreich, no Maracanã.

— Meu filho começou a estudar na Friedenreich há um ano e precisei lutar para a direção fazer obras de acessibilidade. Só agora consegui um mediador para ele, mesmo assim é um estagiário e não um concursado — reclama Maria Teresa de Souza, de 40 anos.

A Secretaria municipal de Educação afirma que já vem adotando os procedimentos necessários para alocação dos profissionais nas unidades escolares da rede. O órgão ressalta ainda que s Gerências de Educação das Coordenadorias Regionais, em conjunto com o Instituto Municipal Helena Antipoff, desempenham ação de orientação e capacitação junto aos estagiários quanto à atuação e mediação no atendimento aos alunos da Educação Especial.​




Reportagem retirada na íntegra:









terça-feira, 3 de março de 2015

OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA: FOCO NAS REDES DE APOIO.



Daniela Alonso.

Para fazer a inclusão de verdade e garantir a aprendizagem de todos os alunos na escola regular é preciso fortalecer a formação dos professores e criar uma boa rede de apoio entre alunos, docentes, gestores escolares, famílias e profissionais de saúde que atendem as crianças com Necessidades Educacionais Especiais.



5. Como formar redes de apoio à Educação inclusiva.



Matheus Santana da Silva, aluno autista, com seu pai na biblioteca da escola.


Os sistemas de apoio começam na própria escola, na equipe e na gestão escolar. O aluno com necessidades especiais não é visto como responsabilidade unicamente do professor, mas de todos os participantes do processo educacional. A direção e a coordenação pedagógica devem organizar momentos para que os professores possam manifestar suas dúvidas e angústias. Ao legitimar as necessidades dos docentes, a equipe gestora pode organizar espaços para o acompanhamento dos alunos; compartilhar entre a equipe os relatos das condições de aprendizagens, das situações da sala de aula e discutir estratégias ou possibilidades para o enfrentamento dos desafios. Essas ações produzem assuntos para estudo e pesquisa que colaboram para a formação continuada dos educadores.

A família compõe a rede de apoio como a instituição primeira e significativamente importante para a escolarização dos alunos. É a fonte de informações para o professor sobre as necessidades específicas da criança. É essencial que se estabeleça uma relação de confiança e cooperação entre a escola e a família, pois esse vínculo favorecerá o desenvolvimento da criança.

Profissionais da área de saúde que trabalham com o aluno, como fisioterapeutas, psicopedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos ou médicos, também compõem a rede. Esses profissionais poderão esclarecer as necessidades de crianças e jovens e sugerir, ao professor, alternativas para o atendimento dessas necessidades.

Na perspectiva da Educação inclusiva, os apoios centrais reúnem os serviços da Educação especial e o Atendimento Educacional Especializado (AEE). São esses os novos recursos que precisam ser incorporados à escola. O aluno tem direito de frequentar o AEE no período oposto às aulas. O sistema público tem organizado salas multifuncionais ou salas de apoio, na própria escola ou em instituições conveniadas, com o objetivo de oferecer recursos de acessibilidade e estratégias para eliminar as barreiras, favorecendo a plena participação social e o desenvolvimento da aprendizagem.
Art. 1º. Para a implementação do Decreto no 6.571/2008, os sistemas de ensino devem matricular os alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas classes comuns do ensino regular e no Atendimento Educacional Especializado (AEE), ofertado em salas de recursos multifuncionais ou em centros de Atendimento Educacional Especializado da rede pública ou de instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos; Art. 2º. O AEE tem como função complementar ou suplementar a formação do aluno por meio da disponibilização de serviços, recursos de acessibilidade e estratégias que eliminem as barreiras para sua plena participação na sociedade e desenvolvimento de sua aprendizagem; Parágrafo Único. Para fins destas Diretrizes, consideram-se recursos de acessibilidade na Educação aqueles que asseguram condições de acesso ao currículo dos alunos com deficiência ou mobilidade reduzida, promovendo a utilização dos materiais didáticos e pedagógicos, dos espaços, dos mobiliários e equipamentos, dos sistemas de comunicação e informação, dos transportes e dos demais serviços. (CNB/CNE, 2009).
Ainda que não apresente números consideráveis, a inclusão tem sido incorporada e revela ações que podem ser consideradas práticas para apoiar o professor. Ter um segundo professor na sala de aula, é um exemplo, seja presente durante todas as aulas ou em alguns momentos, nas mais diversas modalidades: intérprete, apoio, monitor ou auxiliar. Esse professor poderá possuir formação específica, básica ou poderá ser um estagiário. A participação do professor do AEE poderá ocorrer na elaboração do planejamento e no suporte quanto à compreensão das condições de aprendizagem dos alunos, como forma de auxiliar a equipe pedagógica.

Outra atividade evidenciada pela prática inclusiva para favorecer o educador é a adoção da práxis - no ensino, nas interações, no espaço e no tempo - que relacione os diferentes conteúdos às diversas atividades presentes no trabalho pedagógico. São esses procedimentos que irão promover aos alunos a possibilidade de reorganização do conhecimento, à medida que são respeitados os diferentes estilos e ritmos de aprendizagem.

Vale ressaltar que a Educação inclusiva, como prática em construção, está em fase de implementação. São muitos os desafios a serem enfrentados, mas as iniciativas e as alternativas realizadas pelos educadores são fundamentais. As experiências, agora, centralizam os esforços para além da convivência, para as possibilidades de participação e de aprendizagem efetiva de todos os alunos.


Sobre a especialista

Daniela Alonso é educadora, consultora de projetos educacionais, selecionadora do Prêmio Educador Nota 10, psicopedagoga, especialista em Educação Inclusiva.




Reportagem retirada na íntegra:





quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

CINE INCLUIR: UM TIME ESPECIAL.








Sinopse:

Baseado no livro “The Legend of Mickey Tussler”, o filme conta a história de um técnico de uma liga juvenil de baseball que chama um garoto com autismo para ser seu lançador. Os dois terão que vencer preconceitos e a rejeição de alguns jogadores do time para seguir em frente. (Duração: 110 minutos)




terça-feira, 13 de janeiro de 2015

AUMENTA A PRESENÇA DE ALUNOS COM NECESSIDADES ESPECIAIS NAS ESCOLAS.


Escolas brasileiras têm aceitado mais e respeitado mais as diferenças.



As escolas brasileiras andam diferentes, nos últimos anos. Exatamente porque elas têm aceitado mais e respeitado mais as diferenças.

A síndrome de Down da Renata torna ela diferente. Mas não somos todos diferentes? Então a família decidiu que ela era diferente, igualzinha a todo mundo.

“Desde a escolinha, sempre foi com outras crianças sem deficiências”, conta Rosane Maria Basso, irmã da Renata Basso.

Como resultado a Renata se encantou pela escola. “Até em dias de chuva, minha irmã não queria me levar, que estava muita chuva. Eu queria ir, eu falava: eu quero ir, não adianta. Eu sempre gostei de ir pra aula”, explica a estudante Renata Basso.

Ela terminou o Ensino Médio em uma escola regular, e agora quer cursar Artes Cênicas.

É um exemplo de uma grande mudança que vem acontecendo no Brasil. Das crianças com deficiência, que estavam na escola em 2007, 47% estavam em salas comuns. No ano passado, esse número saltou para 77%.

Todas as salas de aula dessa escola têm pelo menos um aluno com deficiência. E olhando assim, a gente não vê divisão nenhuma. Porque é assim que tem que ser. Já está mais que comprovado que essa inclusão faz todo mundo sair ganhando.

Em vez de montar uma estrutura especial para dar aula para crianças com deficiência, em São Paulo a escola pública foi adaptada, e os alunos estudam todos juntos.

“Se ela tá numa escola especial onde todos têm a mesma dificuldade que ela, quem vai desafiar? Quem vai levar ela a crescer, a se desenvolver? Porque a gente acredita que aprendizagem, conhecimento, você constrói interagindo com o outro e com a sociedade, com o mundo”, defende Renata Garcia, coord. Sec. Mun.Educação-SP.

O Lucas quase não andava quando chegou lá. Agora, tira o olho dele para ver. Não é milagre. É o tal desafio, o estímulo, o atendimento certo. E os outros alunos talvez sejam ainda mais beneficiados.

“Fazem com que as crianças elas tenham uma maior tolerância, que elas tenham maior sensibilidade diante do outro, de quem é diferente. Isso tem vantagens, sem dúvida, sociais também”, diz Alejandra Miraz Velasco, coord. "Todos pela Educação".

Nesse encontro, a Maria Clara ajuda a Mikaela. “Eu quero ajudar ela pra ela andar, para ela saber mais as coisas”, conta Maria Clara.

Mas a Mikaela também ajudou a Maria Clara a se tornar essa criança tão especial.
“Por que todo mundo é igual. Não tem ninguém diferente nesse mundo”, afirma Mikaela.


                                        Reportagem retirada na íntegra:




domingo, 4 de janeiro de 2015

CINE INCLUIR: LA FAMILIA BELIER.








Sinopse:

Paula (Louane Emera) é uma adolescente francesa que enfrenta todas as questões comuns de sua idade: o primeiro amor, os problemas na escola, as brigas com os pais... Mas a sua família tem algo diferente: seu pai (François Damiens), sua mãe (Karin Viard) e o irmão são surdos. É Paula quem administra a fazenda familiar, e que traduz a linguagem de sinais nas conversas com os vizinhos. Um dia, ela descobre ter o talento para o canto, podendo integrar uma escola prestigiosa em Paris. Mas como abandonar os pais e os irmãos?



segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

MULHERES COM DEFICIÊNCIA FAZEM SUCESSO COM GRUPO POP NA AUSTRÁLIA.






Cinco mulheres com dificuldades cognitivas estão com a agenda cheia tocando em um grupo de música pop na Austrália.
Mais que a fama, as cinco buscam, através de suas letras, compartilhar suas experiências com o público.
Annika, Michelle, Jackie, Aimee and Caroline vivem em Adelaide. Elas se conheceram em 2010, quando cantaram juntas em um coral dirigido pela Tutti, uma organização que apoia artistas com deficiências. A Tutti percebeu nelas o talento e as convidou para formar um grupo.
Agora, as cinco se apresentam duas ou três vezes por mês, principalmente em conferências.
Michelle, de 25 anos, tem paralisia cerebral e uma leve deficiência de aprendizado. Ela diz que o nome The Sisters of Invention foi escolhido "porque somos como irmãs e apoiamos umas às outras no palco e fora dele".
"A parte da invenção é porque estamos tentando mudar a opinião das pessoas sobre deficiência. Estamos reinventando as regras", diz Michelle.

Afirmação

A canção de estreia do grupo tem por objetivo mostrar que as jovens são adultas, não mais crianças. "Isso aqui não é a Disneylândia. Eu não sou uma novidade: mais real do que é isso é impossível", diz a letra.
A canção foi escrita como uma resposta irritada a um assistente social que sugeriu que elas só deveriam se apresentar para crianças de escola. "Saí da escola anos atrás, acho que você deveria saber", afirma outro trecho da música.
O clipe da faixa reforça a mensagem. Começa com as cinco vestidas como princesas da Disney segurando brinquedos. Ao final, as asas da Sininho são quebradas, o cabelo de Rapunzel é cortado e todos os brinquedos são jogados fora.

Apresentações ocorrem, na maior parte dos casos, em eventos corporativos

"A mensagem é que não queremos ser tratadas como crianças com deficiência", diz Aimee, de 28 anos, que tem síndrome de Williams, uma condição genética que traz, frequentemente, uma afinidade com a música.
"Somos apenas pessoas", diz ela, "antes de sermos pessoas com deficiência".
Annika, de 28 anos, cega e com uma afinação perfeita, diz que as meninas sabiam ser capazes "de muito mais do que o assistente social achava".
Uma canção, Chaos And Serenity ("Caos e Serenidade"), relembra o tempo em que Annika estava na escola e recebeu mensagens contraditórias sobre suas habilidades. Seus pais sabiam que ela poderia ir longe na vida, diz ela, mas a escola não concordava.
"A diretora ficava dizendo a meus pais que eu não conseguiria aprender, mas eu provei que ela estava errada", diz Annika.
Outra faixa, Tsunami Of Kites ("Tsunami de Pipas") veio dos sentimentos de Jackie, de 25 anos. Ela era próxima de um primo que se matou.


'Ouro criativo'

Todas as dez músicas do álbum são baseados em experiências das integrantes e foram escritas pelo grupo em seus encontros semanais duas vezes na Tutti.
"Chegávamos de manhã e eu perguntava: 'Sobre o que vocês querem falar hoje?'", diz o empresário e produtor Michael Ross. Ele anotava tudo o que era dito até as letras ganharem forma.
"Vinha muita poesia delas", diz Ross, que fez com que elas entendessem exatamente como suas palavras seriam usadas mais tarde.
Construir obras por meio de conversa é comum em grupos de artes para pessoas com deficiência: uma boa maneira de expressar o que os participantes realmente querem dizer.
Ross, o produtor, diz que expôr "sua verdade" é importante.
"Eu não estou nem um pouco interessado na deficiência delas", diz ele.
"O que me interessa é que começamos a ver o mundo através de uma lente pela qual as pessoas na cultura pop quase nunca veem. É ouro criativo."

Opções individuais






Cada integrante do grupo escolhe suas próprias roupas, respeitando seu estilo

Quando as Sisters tocam, o lado físico das suas deficiências fica mais aparente. Aquelas que têm dificuldades para dançar ou se mover no palco ficam sentadas, Ross diz, "porque elas não estão lá para mostrar suas barreiras ou dificuldades - eles estão lá em cima para mostrar seus pontos fortes".
Embora as decisões criativas sejam feitas em conjunto, o que vestem é opção individual.
"Eu gosto de usar calças esportivas", diz Jackie, que descreve seu estilo como semelhante ao do hip-hop.
"Eu gosto de glitter e coisas sexy", diz Aimee, que se veste mais como um artista de cabaré.
Michelle se diz "inteligente e moderna", e usa cadarços que combinam com sua blusa rosa choque.
Annika, que não enxerga, diz que recebe ajuda da mãe para escolher as roupas.
Caroline, dançarina de 29 anos, compra suas roupas em viagens pelo mundo com seus pais.
As meninas vêm aprimorando seu som e sua imagem há mais de três anos. Neste ano, o grupo está começando a fazer sucesso, com suas músicas disponíveis para download e a agenda cheia.
A maioria dos shows do The Sisters of Invention ocorre em eventos corporativos, onde o público busca "alguém para inspirá-los", diz Michael Ross.
Mas ele faz questão de destacar que o grupo existe, acima de tudo, com uma proposta artística.
"Não nos irrita ser fonte de inspiração. Se você ficar inspirado pela fantástica realização artística delas tudo bem", diz Ross.
"Mas não se inspire só porque alguém que não pode andar como você consegue lembrar seu próprio nome."



                                                 Reportagem retirada na íntegra:




quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

RAPAZ COM SÍNDROME DE DOWN VAI EXPOR A SUA ARTE EM ITÁLIA.


 
Tem apenas 19 anos. Gosta de dançar e de pintar e, agora, está prestes a expor as suas pinturas em Itália.

Lucas Piantino sempre adorou arte, desde muito novo. A sua mãe é uma escritora e artista plástica, seu pai e seu avô também escrevem como modo de vida. 

Apesar de ter síndrome de Down, nunca se sentiu constrangido com o talento que desde sempre revelou, foi aliás um escape que encontrou na vida depois de se sentir socialmente excluído. Os seus pais tiveram de o retirar da escola com apenas 13 anos, porque o jovem era vítima de preconceito. 

De forma a ensinar-lhe coisas novas, sua mãe deu-lhe a conhecer o mundo da arte, algo que resultou na perfeição. 

Um simples passatempo acabou por se tornar na sua profissão. Com 13 anos fez a sua primeira exposição e foi agora convidado a expor 10 das suas telas na Galleria Nazionale Dell'Umbria, em Itália. 

Uma história incrível de superação!
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Reportagem retirada na íntegra: