quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

MATEMÁTICA, MÚSICA E BULLYING: COMO É A VIDA DE CRIANÇAS SUPERDOTADAS NO BRASIL



Gustavo Torres da Silva na Universidade de StanfordImage copyright

DIVULGAÇÃO
Image captionGustavo Torres da Silva passou em duas universidades brasileiras e cinco americanas

João Gabriel do Nascimento, de 10 anos, executa, com razoável desenvoltura, Águas de Março, de Tom Jobim, ao violino. Com dores no pescoço, diz, em tom de brincadeira, que está se sentindo como o astrofísico inglês Stephen Hawking. Filho de uma diarista e um pizzaiolo, João mora no Morro do Cerro Corá, no Cosme Velho, Rio de Janeiro; estuda na Escola Municipal José de Alencar, em Laranjeiras, e aprendeu a ler, sozinho, aos quatro anos. Quando crescer, ainda não sabe se vai ser escritor ou goleiro do Flamengo.
Gustavo Torres da Silva, de 18 anos, é aluno de Engenharia Física na Universidade de Stanford, nos EUA. Nascido no Capão Redondo, bairro pobre da periferia de São Paulo, Gustavo foi aprovado em duas instituições brasileiras - USP, em Engenharia Elétrica, e UFSCar, em Engenharia Física - e cinco americanas: Columbia, Duke, MIT, Harvard e Stanford. Na infância, gostava de ver o pai, técnico de eletrônica, montar e desmontar os eletrodomésticos que trazia para casa.
O que os dois têm em comum? São alunos com altas habilidades, mais conhecidos como superdotados.
Para ser considerado um superdotado, explica a pedagoga Maria Clara Sodré, PhD em Educação pela Universidade de Columbia (EUA), o aluno precisa apresentar, entre outras características, precocidade ou alto potencial em pelo menos uma das sete inteligências definidas pelo psicólogo americano Howard Gardner em sua Teoria das Inteligências Múltiplas.
João Gabriel do Nascimento toca violinoImage copyrightRENATA BERNARDO
Image captionJoão Gabriel do Nascimento toca 'Águas de Março' no violino

Em outras palavras: ele precisa ter uma habilidade muito acima da esperada para a sua idade.
No caso de João, sua inteligência é a musical. Como Sivuca e Hermeto Paschoal, dois dos mais virtuosos artistas brasileiros, o menino consegue extrair timbres e sons de qualquer instrumento - musical ou não.
Já a inteligência do Gustavo é a lógico-matemática. Incentivado por seu pai, Adalberto, o garoto gostava de desparafusar o joystick do videogame para ver como funcionava por dentro.
"Alunos superdotados são como diamantes brutos. Se você não lapidá-los, eles terão seus talentos desperdiçados", alerta Maria Clara Sodré.


Garimpando talentos

Na maioria das vezes, quem "garimpa" esses diamantes brutos é a própria família. É o caso de Gustavo, que atribui todo o mérito de suas conquistas acadêmicas ao esforço incansável dos pais.
"Se eles não me tivessem dado livros para ler, quebra-cabeças para montar e cursos para estudar, eu não teria chegado tão longe", reconhece o rapaz.
Em alguns casos, é o professor, em sala de aula, o primeiro a detectá-los.
Tauat do Santos LaraImage copyrightANA MARIA SBARDELLA
Image captionProfessora detectou talento de Tauat dos Santos Lara para matemática

Foi o que aconteceu com Tauat dos Santos Lara, de 14 anos. Quando estudava na Escola Municipal Minas Gerais, na Urca, Zona Sul do Rio, era sempre o primeiro a terminar os exercícios.
"Um dia, a professora de Matemática me indicou livros mais avançados. E até sugeriu que eu pulasse de série", recorda Tauat. Hoje aluno do 9º ano do Colégio Pedro 2º, Tauat é tricampeão nas Olimpíadas de Matemática das escolas públicas.
Em casa ou no colégio, os sinais são sempre os mesmos. "Aprendem com rapidez, gostam de fazer perguntas, têm excelente memória, apresentam rico vocabulário e tiram notas boas", enumera a psicóloga Cristina Delou, doutora em Educação pela PUC-SP e professora da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Desde 2014, Delou já capacitou 200 professores da rede pública do Rio de Janeiro para reconhecer superdotados.
Os alunos que se destacam dos demais, por terem pensamento lógico, facilidade de aprendizado ou senso de justiça, entre outros atributos, são avaliados por um psicólogo ou um psicopedagogo, através de testes específicos de conhecimento.
Feito o diagnóstico, o estudante é encaminhado a um instituto especializado para aprimorar seu talento.
"Os mitos relacionados à superdotação são incontáveis: uns dizem que eles são gênios, outros, que são bons em tudo e outros, ainda, que não precisam de ajuda. Sem orientação adequada, muitos deles perdem o interesse nos estudos e abandonam a escola", explica Inês França, gerente de projetos do instituto Ismart, que atua auxiliando superdotados do Rio.


Bullying

Segundo o Censo Escolar de 2014, o Brasil tem hoje 13.308 alunos superdotados na Educação Básica - um número 17 vezes maior que o registrado em 2000. Mas, pelos cálculos da OMS, esse número pode chegar a 2,4 milhões de estudantes.
Shaft Novakoski Gutemberg, 13, e Francisco Gomes de Castro, 10, se enfrentam no xadrezImage copyrightRENATA BERNARDO
Image captionShaft Novakoski Gutemberg, 13, e Francisco Gomes de Castro, 10, se enfrentam no xadrez em uma sala para alunos com altas habilidades na Escola Municipal José de Alencar, no Rio de Janeiro
Desses 13 mil alunos, pelo menos 12, do 1º ao 9º ano, estudam na Escola Municipal José de Alencar, na Zona Sul do Rio. Na chamada sala de recursos, os estudantes com altas habilidades não aprendem regras gramaticais, fatos históricos ou equações matemáticas. Lá, eles são orientados a desenvolver as habilidades que fazem deles alunos superdotados.
Enquanto João mostra a música nova que tirou no violino, Shaft Novakoski Gutemberg, de 13 anos, e Francisco Gomes de Castro, de 10 anos, se enfrentam no xadrez.
"Mais do que transmitir conhecimento, quero prepará-los para a vida. São eles que, no futuro, vão ajudar a resolver os problemas do Brasil e do mundo", acredita a psicóloga Cláudia Feijó, que trabalha há 25 anos com superdotados, sendo 15 na José de Alencar.
Um dos desafios a serem enfrentados hoje pelos superdotados é o bullying. Por serem diferentes dos demais, costumam ser alvo da implicância dos colegas.
"Em alguns casos, alunos com altas habilidades chegam a esconder seu talento para não serem hostilizados dentro e fora de sala de aula", denuncia Susana Pérez, presidente do Conselho Brasileiro para Superdotação (ConBraSD).


Mãe de superdotados

Não por acaso, a advogada Cláudia Hakim, 41, prefere manter em sigilo a identidade dos filhos: de 12 e 15 anos. A mais velha começou a falar quando tinha um ano, aprendeu a ler por volta dos três e já estava alfabetizada aos quatro.
"Enquanto os demais alunos estavam começando a aprender o alfabeto, minha filha já escrevia uma pequena redação, sem erros de ortografia", orgulha-se Hakim.
Cláudia Feijó e uma turma de superdotados na EM José de AlencarImage copyrightRENATA BERNARDO
Image captionCláudia Feijó trabalha com superdotados há 25 anos, há 15 apenas na EM José de Alencar

No Ensino Fundamental, os dois tiveram que ser "acelerados" de turma: a primogênita pulou do primeiro para o terceiro ano e o caçula do pré para o segundo ano.
Hoje, a menina é aluna do segundo ano do Ensino Médio e o garoto estuda no oitavo ano do Fundamental. Hakim, por sua vez, formou-se em Direito Educacional, criou o blog Mãe de Crianças Superdotadas em 2010 e lançou o livro Superdotação e Dupla Excepcionalidade em 2016.
Para os pais que desconfiam da inteligência acima da média dos filhos, Hakim dá uma dica: procure estimular essas habilidades de forma lúdica e na medida do interesse deles, sem forçar a barra.
"A superdotação é apenas um aspecto do comportamento de seu filho e não é o único. Por essa razão, é importante respeitar as fases do desenvolvimento da criança, deixá-la vivenciar sua infância e lembrar que, antes de ser superdotada, ela é uma criança e precisa ser tratada como tal", recomenda.

Reportagem retirada na íntegra:

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

A DELEGADA GOIANA QUE ROMPEU UM TABU



Mudança de sexo parece ter pegado de surpresa os colegas da Polícia Civil. Comentários internos da corporação dão conta que Thiago, agora Laura, era bastante "másculo" para "chegar ao ponto" de virar mulher.

Reprodução/Facebook













A transexualidade, diferentemente da homossexualidade, é um assunto ainda pouco discutido no meio social e midiático. O espaço que os transexuais possuem na sociedade é ínfimo em relação a outras minorias sociais. Em Goiás, a delegada de polícia Laura de Castro Teixeira, antes Thiago de Castro Teixeira, resolveu realizar o procedimento cirúrgico para mudar de sexo. Após processo de relocação de delegados da Polícia Civil, ela deverá integrar em fevereiro a equipe da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam-Goiânia).
A notícia parece ter pegado de surpresa os colegas da corporação. Os comentários internos da Polícia Civil dão conta que Thiago era “bastante másculo” para “chegar ao ponto” de se tornar um integrante do sexo feminino. Roupas masculinas e a barba por fazer davam crédito total à masculinidade da agora delegada. Inclusive, Laura já foi casada com uma mulher, com quem teve dois filhos.
O delegado adjunto Daniel Felipe Adorni da Diretoria da Polícia Civil de Goiás afirmou que a corporação goiana enxerga o caso com “naturalidade”. “Para nós, problema é policial corrupto, truculento, omisso", declarou. O delegado acrescentou também que as mudanças de sexo e de nome da delegada não alteram seu vínculo com a corporação, visto que a situação jurídica de Laura permanece inalterada.
A advogada Chyntia Barcellos, vice-presidente da Comissão Especial da Diversidade Sexual do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e presidente da Comissão de Direito Homoafetivo da Seção de Goiás da OAB, comemorou a notícia. “Sinto uma alegria imensa de poder presenciar esses avanços, especialmente por ser na minha cidade, Goiânia. Acredito que esta história incrível servirá de exemplo para outras pessoas que têm o mesmo desejo, mas preferem não mudar de sexo por convenções sociais”, analisa Chyntia.
Laura já se transformou em um exemplo na luta pela causa homossexual. Liorcino Mendes, presidente da Articulação Brasileira de Gays (Artgay), afirmou via rede social que o movimento LGBT de Goiás fica feliz com a notícia e vê um avanço importante no caso da delegada. "Parabéns, Goiânia tem a primeira delegada de Polícia Transexual do Brasil. Viva as mulheres transexuais", publicou na sua página do Facebook.

Transgenitalização e a hipocrisia social 
A sexualidade humana é muito mais complexa e peculiar do que uma inocente divisão em duas partes. Entretanto, o ser humano nasce em “caixas sociais”, ou você pertence ao sexo masculino ou feminino. Meninos gostam de meninas, e casam com elas; esta é a lógica. Relacionar-se com pessoas do mesmo sexo já é “problema” o suficiente; almejar a genitália alheia então... um sacrilégio dos mais desagradáveis.
A transexualidade é encarada pelos fanáticos religiosos (ou nem tão fanáticos) como uma “abominação”, e grande parte da população avalia a condição como um simples processo de automutilação. Optar pela troca de sexo não é uma decisão tomada da noite para o dia. Além do preconceito (dos outros e de si mesmo) e da fobia social, transexuais passam a vida ingerindo medicamentos que controlam a taxa hormonal.  Não é simplesmente “colocar” ou “tirar” algo.
As pessoas que desejam a transgenitalização conhecem os riscos e as consequências do procedimento, e, mesmo assim, decidem fazê-lo; não por capricho, mas porque a dor de pertencerem a um corpo que não o seu é muito maior do que as dores de um procedimento cirúrgico.
Se um erro biológico ou divino, o fato é que transexuais necessitam de auxílio médico por toda a vida, e também psiquiátrico. Mas não apenas no momento em que resolvem realizar a transgenitalização. Impossibilitadas de expressarem sua real condição sexual, elas são obrigadas a passar grande parte da vida sendo quem não são, e para ser quem querem ser necessitam de condições financeiras asseguradas. Muitas, oriundas de famílias humildes, não possuem condições de realizar a cirurgia e acabam enveredando pela prostituição. Não que este seja um caminho “indigno”, mas o fato é que a fobia social para com as transexuais não lhes dão muitas opções. 
O mercado de trabalho é vedado às transexuais, salvo raras exceções - como é o caso da delegada goiana. Marginalizadas e esquecidas pelos familiares, as oportunidades de emprego são escassas. Pense bem! Quantas professoras ou médicas transexuais você conhece? Você já contratou alguma para trabalhar em sua casa ou em sua empresa?
Também por esse motivo a coragem da delegada deve ser louvada e prestigiada. Ela conseguiu romper paradigmas ainda presentes nas forças oficiais, onde a homossexualidade e a transexualidade não têm vez, pois, remetem à ausência de virilidade - visão esta que se desvencilha do real com a presença feminina massiva em cargos de comando.
Assim como tantas outras minorias que ganham o seu espaço em sociedade, as transexuais merecem ser aceitas e respeitadas. Elas são, sem “mas”, mulheres, e, como tais, devem ser incluídas em todas as conquistas alcançadas pela classe feminina ao longo dos anos. A mudança de sexo já é possível faz tempo, o que falta agora é a mudança de mentalidade. 

Reportagem retirada na íntegra:

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA E RACISMO CRESCEM NO 'PACÍFICO' BRASIL




Maurício Pestana

Maurício Pestana




Vivemos um dos momentos mais conturbados da história da humanidade. Um período parecido com o que antecedeu a Segunda Guerra Mundial, em que nacionalismos e separatismos, bem como conflitos que opunham etnias e religiões, mascaravam as verdadeiras razões políticas e econômicas subjacentes àquela época -como a crise da Bolsa de Valores, de 1929, e a Grande Depressão. Cenários como esses propiciam e potencializam sentimentos de xenofobia, ódio, intolerância e racismo.
No âmbito internacional, as diferenças religiosas têm exacerbado o preconceito em relação aos muçulmanos, induzindo-se a crer que todo o adepto da religião islâmica tem a responsabilidade por ataques terroristas causados por uma minoria radical sem nenhum princípio ético e humanitário, base fundamental de qualquer doutrina religiosa. Exemplo recente é a intensificação do conflito das duas potências petrolíferas no Oriente Médio -Irã e Arábia Saudita- tencionando ainda mais uma região marcada por confrontos de origem religiosa.
A intolerância religiosa e o racismo motivaram e foram pano de fundo para quase todos os conflitos armados que ocorreram no século 20. A morte de mais de seis milhões de judeus, no período sinistro e obscuro da ascensão do nazismo, que perdurou por mais de uma década na Alemanha, é um exemplo claro desse fenômeno.
Historicamente, o Brasil não ficou ao largo desse processo de radicalização e intolerância religiosa. No momento em que o fascismo aterrorizava a Europa, movimentos como o integralismo, que pregava o racismo, ganhava força entre nós. É só lembrar que o candomblé e até mesmo a capoeira, com seus batuques e cantigas, eram proibidos no Brasil até meados do século 20. 
Nosso país é dos locais que apresentam a maior diversidade de credos do mundo. Abriga diferentes comunidades religiosas e culturais e é considerado a maior nação espírita e católica do planeta, com a presença de diversas instituições ecumênicas. Aparentemente "pacífico", o Brasil é constitucionalmente laico, sem religião oficial, o que garante a seus cidadãos a liberdade de crença e de expressão.
Ao mesmo tempo, é possível afirmar, contraditoriamente, que, com o aumento da diversidade religiosa, aqui verifica-se o agravamento da intolerância e do racismo. O problema se revela frequente, com relatos de destruição de imagens de orixás, símbolos do candomblé ou de imagens de santos católicos.
Trajar roupas brancas como nos rituais ancestrais às sextas-feiras, como símbolo de quem cultua religião de matriz africana, é visto hoje em certos ambientes em nosso território como uma ofensa. Alguns programas de televisão tratam abertamente as religiões de matriz africana como seitas satânicas do mal.
Também têm sido cada vez mais frequentes os casos de queima de terreiros de candomblé e os relatos de mães de santo que sofrem pequenos atentados a seus seguidores, como o esvaziamento dos pneus de carros estacionados nas proximidades de seus terreiros. É comum, igualmente, a depredação de capelas católicas, sobretudo as localizadas em áreas isoladas, à beira das estradas. No entanto, há pouca reação contra esse tipo de atentado e discriminação.
Nos últimos meses, a Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial de São Paulo (SMPIR) registrou aumento significativo do volume de denúncias de atos de intolerância contra crenças de matriz africana, sendo superado apenas pelos registros de práticas de discriminação em escolas. Pior ainda quando as duas coisas vêm juntas: crianças são discriminadas no ambiente escolar pelas suas vestimentas ou religiões (candomblé, islamismo ou judaísmo). Muitos casos nem sequer chegam ao conhecimento do poder público.
Visando coibir outras atitudes discriminatórias foi sancionada uma lei municipal na cidade de São Paulo, criando o Dia de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado no dia 21 de janeiro. Por conta dessa data, foi lançado, com a presença do prefeito Fernando Haddad, o fórum inter-religioso, uma iniciativa da SMPIR, que conta com o apoio da secretaria de direitos humanos.
Trata-se do reconhecimento, pelo próprio Estado, da existência do problema. A intolerância religiosa é um crime de ódio que fere a liberdade e a dignidade humana. E o país, que abriga uma das maiores diversidades religiosa do mundo, tem a obrigação de ser verdadeiramente um exemplo de paz nessa questão.


Reportagem retirada na íntegra:

PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VÃO À PRAIA PELA PRIMEIRA VEZ


Publicada em 10/11/2016 às 15:26

O Núcleo de Assistência ao Portador de Deficiência (NAPD), em parceria com o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e a UBS Novo Horizonte, organizou nesta quarta-feira (9) um dia diferente para os pacientes atendidos nessas instituições. Dentro do programa “Estilo de Vida”, eles foram a uma praia acessível, em Bertioga, litoral de São Paulo.

Os pacientes do Napd puderam curtir um dia na praia acessível de Bertioga
Pacientes do Napd puderam curtir um dia na praia acessível de Bertioga
A visita contou com acompanhamento de agentes comunitários e profissionais da UBS, Cras e NAPD. O ônibus, de 50 vagas, foi fornecido pela Secretaria de Esportes. 
A escolha da praia se deu por conta das cadeiras anfíbias, que possibilitam a entrada de deficientes no mar. A praia também dispõe de banheiros acessíveis e ofereceu tendas montadas para o melhor conforto dos pacientes. Segundo Eliana Del Gelmo, assistente social do NAPD, a iniciativa foi gratificante para todos. “Vimos como a acessibilidade faz toda a diferença para a vida dessas pessoas. Para eles, que nunca haviam ido à praia, foi a realização de um sonho”, declarou.




Reportagem retirada na íntegra:




quarta-feira, 9 de novembro de 2016

CINE INCLUIR: UM MOMENTO PODE MUDAR TUDO









Sinopse:



Kate (Hilary Swank) é uma pianista clássica sofisticada, casada, extremamente bem sucedida e recém diagnosticada com ELA (esclerose lateral amiotrófica, também conhecida como doença de Lou Gehrig). Bec (Emmy Rossum) é uma estudante impertinente e aspirante a cantora de rock que mal consegue dar conta do descontrole caótico de sua vida tanto no aspecto romântico quanto em outras áreas.
No entanto, quando Bec aceita uma tentativa desesperada de emprego para dar assistência a Kate, enquanto o casamento de Kate e Evan (Josh Duhamel) se deteriora, ambas passam a se apoiar em algo que se torna um laço não convencional, por vezes conflituoso e ferozmente honesto.
(Duração: 95 minutos)


terça-feira, 16 de agosto de 2016

CRESCE O ACESSO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA AO ENSINO SUPERIOR NO PAÍS


10/06/2016 - 12h31 - Atualizado em 10/06/2016 - 12h31.


Inep aponta que de 2004 e 2014 as matrículas aumentaram 518,66%.
Entretanto, do total de ingressos nas instituições elas representaram só 0,42%.



Anderson ViegasDo G1 MS
Victor, que sonha com a universidade; Geraldo que já está fazendo o curso que escolheu e Rosa, que terminou a faculdade e fez até pós-graduação (Foto: Anderson Viegas/G1 MS e Arquivo Pessoal)Victor, que sonha com a universidade; Geraldo que já está fazendo o curso que escolheu e Rosa, que terminou a faculdade e fez até pós-graduação (Foto: Anderson Viegas/G1 MS e Arquivo Pessoal)
A Convenção das Nações Unidas (ONU) sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência define em seu artigo 1º: “Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas”.

Em Mato Grosso do Sul, pessoas como Rosa Cristina dos Santos Dalmazo, de 36 anos, Geraldo Júnior Duarte Brites Cabreira, de 23 anos, e Victor do Nascimento Teixeira, de 19 anos, estão lutando para superar as barreiras mencionadas pela ONU, e assegurar uma participação plena na sociedade. Para os três, o ensino superior é um marco nesta trajetória.

Rosa, ou simplesmente Rosinha, como é carinhosamente chamada por todos no Centro Especializado em Reabilitação da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Cer/Apae), em Campo Grande, onde trabalha há mais de dez anos, não somente atingiu esse marco, como o superou. Ela é graduada em Pedagogia, pela Uniderp, de Campo Grande, e tem pós-graduação em Psicopedagogia, pelo instituto de ensino Libera Limes.

Ela tem uma síndrome que não pode ser diagnosticada pelos médicos e que causa hipotonia muscular, ou seja, a diminuição do tônus muscular e da força, além de um grau de miopia muito alto. Os problemas, segundo ela, atrasaram sua entrada na escola, ainda em Tupã, no interior de São Paulo, mas nunca impediram que depois tivesse um bom desempenho escolar.


Rosa Cristina dos Santos Dalmazo é formada em Pedagogia e tem pós-graduação em Psicopedagogia (Foto: Anderson Viegas/G1 MS)Rosa Cristina dos Santos Dalmazo é formada em Pedagogia e tem pós-graduação em Psicopedagogia (Foto: Anderson Viegas/G1 MS)

“Demorei para entrar na escola porque tive dificuldades para andar. Tinha os pés tortos e caia muito. Não podia correr. Além disso, aos seis anos já tinha seis graus de miopia.  Via meus irmãos indo para a escola e sentia muita falta de estudar, tanto que quando entrei na escola [um colégio convencional], me esforçava muito. A visão sempre foi o maior problema. Tinha dificuldades para copiar as matérias do quadro, por isso, sempre sentava na frente e prestava muita atenção na explicação do professor”, lembra, completando que graças a esse empenho sempre foi a primeira ou esteve entre as primeiras da turma.

Com 15 anos, Rosa e a família deixaram o interior de São Paulo e vieram para Campo Grande, onde também em uma escola convencional ela cursou o ensino médio.  “As dificuldades foram grandes. Faltava desde material diferenciado, pessoal capacitado até estrutura na escola, mas eu não desanimava, sempre buscava vencer a limitação”, afirma.

Concluído o ensino médio, ela fez o vestibular e passou para o curso de Administração, na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), mas um descolamento de retina a fez interromper o sonho de fazer faculdade.  “Fiquei um bom tempo sem poder usar óculos e não tinha como estudar, tive que abrir mão do curso”, relembra.

Recuperada, resolveu fazer um novo vestibular, desta vez para um outro curso, o de Pedagogia, em uma universidade privada de Campo Grande, a Uniderp. “Me interessei pela área. Sabia que não poderia dar aula, mas poderia trabalhar na parte administrativa de uma escola”, revela, recordando que mesmo com o curso sendo semipresencial, as barreiras para concluí-lo foram grandes.

“Tinha aulas presenciais duas vezes na semana e as dificuldades que tive nos outros níveis de ensino aumentaram, porque a qualidade da minha visão foi piorando. Os slides das matérias e os vídeos que eram apresentados, tinha muita dificuldade em ver, por isso, redobrava a atenção nas explicações. Foi difícil, mas não pensava que não ia conseguir, pensava em ir além, fazer pós-graduação. Sempre tive um foco e uma meta, desde pequena fui assim. Acho que o fato de não terem diagnosticado a síndrome que eu tenho acabou me ajudando. Como não sabiam ao certo o que tinha, não me falaram que eu tinha isso ou aquilo de limitação e aí fui seguindo em frente. Terminei a faculdade. Sou a única pessoa da minha família que tem ensino superior e depois fiz a tão sonhada pós-graduação”, comenta.
 
O trabalho na Apae, conforme ela, começou mais ou menos na mesma época da faculdade e como voluntaria, para ajudar a organizar as pastas com as evoluções dos pacientes atendidos pela instituição. Em uma semana ela conseguiu colocar fim a um atraso de mais de três semanas nas anotações dos profissionais. Após um ano e meio de dedicação a instituição, Rosa foi contratada como colaboradora e hoje é a responsável pelo arquivo da entidade, onde estão milhares de pastas com os prontuários de todos os pacientes.

Em razão do agravamento dos problemas de visão, Rosa implementou algumas mudanças no setor. Por exemplo, as ficha de identificação das pastas que antes eram preenchidas a mão, atualmente são todas digitadas e com uma fonte grande, o que facilita sua visão. Além disso os tipos e cores de pastas foram padronizados. Em relação ao futuro, ela revela que o sonho é voltar a estudar, mas desta vez com um objetivo diferente, para um concurso público.

Rosa conseguiu com muito esforço e empenho terminar sua faculdade e fazer ainda uma pós-graduação. Entretanto, no contexto da pessoa com deficiência no Brasil ela representa uma minoria. De acordo com os dados do Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre as pessoas com deficiência com mais de 15 anos no país, 61,13% não têm instrução ou têm somente o ensino fundamental completo. Outros 14,15% têm ensino fundamental completo ou médio incompleto, 17,67% têm ensino médio completo ou superior completo e apenas 6,66% concluíram um curso superior.

O Brasil, ainda conforme o último Censo, tinha em 2010, 45.606.048 pessoas com deficiência, o que representava 23,9% da população.  Desse total, 525.979 eram moradores de Mato Grosso do Sul, o equivalente a 21,47% dos habitantes do estado na época.

No estado, se Rosa já conseguiu realizar o sonho de concluir uma faculdade, Geraldo está no caminho. Ele nasceu em Bela Vista, a 324 quilômetros de Campo Grande e na hora do seu parto houve um problema. Faltou oxigênio para o seu cérebro, o que provocou uma paralisia cerebral. “Os médicos na época, chegaram a dizer para meus pais que eu teria apenas 72 horas de vida. Mas eu contrariei as previsões e estou aqui”, comenta o jovem. Em razão da paralisia, ele tem problemas neurológicos, dificuldades motoras e para falar e depende de uma cadeira de rodas para se movimentar.



Infográfico das pessoas com deficiência no Brasil (Foto: Anderson Viegas/G1 MS)












Ele conta que iniciou os estudos em uma escola convencional do próprio município, onde tinha o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar e depois passou para uma unidade da Sociedade Pestalozzi, que é especializada no atendimento a pessoas com deficiência, na cidade vizinha, Jardim. 

Depois foi estudar em um colégio convencional, também em Jardim, a Escola Estadual Antonio Pinto Pereira. “Lá eu contava com todos os recursos. Tinha acompanhamento dentro da sala de aula, o que me ajudava muito principalmente para fazer as provas, que eu precisava que fossem lidas para que eu respondesse oralmente. Eu recebia o tratamento de uma pessoa normal e ao mesmo tempo tinha qualidade de ensino”, explica.

Desde que começou a estudar e inspirado no trabalho e sucesso profissional alcançado por uma conterrânea, Gerado revela que seu sonho era ser jornalista. “Me inspirei no trabalho da assessora de imprensa do Crea-MS [Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul], Janine de Paula. Ela também é da minha cidade e sempre me deu muito apoio neste sonho”, diz o jovem.

Em busca da realização do sonho e com o apoio emocional e financeiro da família, que é proprietária de uma metalúrgica em sua cidade natal, ele conta que fez o vestibular em quatro instituições. Aprovado em todas, optou pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), que oferecia o curso que queria, Jornalismo, e onde já teria o amparo de um familiar, seu irmão mais velho, que já era aluno de Engenharia Civil, na mesma instituição.

Com a assistência da família, Geraldo se mudou então para Campo Grande. Na casa que divide com o irmão e que fica próxima ao campus da universidade, ele conta com a ajuda de uma cuidadora, que o auxilia nas tarefas diárias. A ida e volta da faculdade é feita com o apoio do irmão.


Geraldo Júnior Duarte Brites Cabreira é aluno do terceiro semestre de Jornalismo da UCDB e se inspirou em conterrânea para fazer a faculdade (Foto: Anderson Viegas/G1 MS)Geraldo Júnior Duarte Brites Cabreira é aluno do terceiro semestre de Jornalismo da UCDB e se inspirou em conterrânea para fazer a faculdade (Foto: Anderson Viegas/G1 MS)

O jovem, que está no terceiro trimestre do curso, comenta que a adaptação não foi fácil. “Acho que todas as pessoas com deficiência precisam ser incluídas. O jornalismo precisa discutir mais essa questão e esse foi mais um motivo que me levou a escolher o curso, para ajudar a promover esse debate. A adaptação não foi fácil. Faculdade não é igual escola e enfrentei muitas dificuldades. Na escola, por exemplo, gravava todas as aulas para estudar, mas na faculdade alguns professores pediram que eu não gravasse, porque não queriam ter suas aulas divulgadas. Tive então que me adaptar, buscar uma alternativa”, explica.

Na opinião de Geraldo, de um modo geral e não somente no ensino superior, falta preparação aos profissionais da educação para atender as pessoas com deficiência, e isso acaba se tornando uma barreira a mais para ser superada.  No entanto, ele diz que a concretização do seu sonho é sua maior motivação. “Todo dia quando eu acordo penso que é uma nova oportunidade, uma nova chance para aprender coisas diferentes e que se eu não fizer nada, ninguém vai fazer nada por mim”, ressalta, apontando que um pensamento do filósofo e matemático francês do século XVII, René Descartes, resume como ele se define: “Eu penso, logo existo”.

Segundo dados do Censo da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em um período de dez anos, entre 2004 e 2014, o acesso de pessoas com deficiência ao ensino superior, como é o caso de Geraldo e de Rosa, deu um salto no país, mas quando esses números são comparados com os dados totais de ingresso nas faculdades e universidades brasileiras, essa participação ainda é mínima.

Em 2004, por exemplo, o número de pessoas com deficiência que se matricularam em cursos superiores presenciais e à distância no Brasil foi de 5.395, o que representou somente 0,12% do total de matriculas no país neste ano, que foi de 4.223.344, de acordo com o Inep.

Já em 2014, por conta de um conjunto de fatores, como criação de novas instituições e cursos e, ainda estímulo ao acesso por meio de iniciativas como o Programa Universidade para Todos (Prouni), o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Programa de Financiamento Estudantil (Fies), o número de matriculados no ensino superior como um todo teve um grande incremento e o ingresso de pessoas com deficiência nestas instituições também cresceu.

O Inep aponta que neste ano, 7.828.013 estudantes se matricularam em cursos superiores no país, o que representou um crescimento de 85,35%, frente a 2004. Em relação aos alunos com necessidades educativas especiais o aumento foi muito maior na mesma comparação, 518,66%, atingindo 33.377 matrículas.

Apesar do ingresso das pessoas com deficiência ter aumentando três vezes e meia, em relação ao total de matriculas no ensino superior do país em 2014 o percentual não chegou nem perto de 1% do total, representando somente 0,42%.

Em Mato Grosso do Sul, neste intervalo de dez anos o cenário foi bem semelhante ao registrado no Brasil. A quantidade total de alunos matriculados no ensino superior cresceu 81,54%, de 65.167 em 2004 para 118.291 em 2014 e de alunos com necessidades educativas especiais saltou de 82 para 667, um incremento de 713,41%. 

Já a representação da pessoa com deficiência em relação ao total de matriculas nos cursos superiores no estado que era de 0,12% subiu para 0,56% do total.

A dificuldade do ingresso de uma pessoa com deficiência em um curso superior retratada por esses números é uma realidade vivenciada por Victor.  Ele tem baixa visão e autismo.  Terminou o ensino médio, mas por não ter o curso que pretende fazer, Jornalismo, no seu município, Itaporã, a 225 quilômetros de Campo Grande, por enquanto, não conseguiu chegar ao ensino superior.

Victor conta que iniciou seus estudos na APAE em Itaporã, de onde saiu alfabetizado. Ele diz que quando tinha seis anos sua mãe fez uma tentativa para inseri-lo em uma escola convencional, um colégio do município, mas que não deu certo, porque ele sofria maus-tratos.

Infográfico da pessoa com deficiência no ensino superior (Foto: Anderson Viegas/G1 MS)















Isso fez com que ele saísse do colégio e ficasse sem freqüentar o ensino regular por cerca de três anos até retornar, desta vez para uma unidade da rede estadual, a Escola Estadual Antônio João Ribeiro, onde concluiu o ensino médio.
“Neste colégio eu recebia muito apoio. Havia até uma funcionária que cuidava de mim na hora do recreio. Como tinha muita dificuldade para enxergar o quadro, meus colegas fechavam as cortinas da sala para evitar que o sol batesse na lousa. A direção da escola colocava ainda uma iluminação diferenciada na sala, para que eu pudesse ver melhor.  Eu também me esforçava e tirava notas boas. Entre 2011 e 2014, o governo do estado premiava os alunos mais aplicados e eu ganhei neste período um notebook e três tabletes como prêmios por meu desempenho”, recorda.

O sonho de fazer  a faculdade de Jornalismo nasceu, conforme ele, há cerca de seis anos. “Na minha casa não tem parabólica, então eu via muito o jornalismo local. Comecei a me interessar cada vez mais pela área até decidir que era isso que eu queria fazer”, revela.

Para tentar realizar o sonho, Victor comenta que já fez o Enem, e que em todas as disciplinas sua pontuação foi acima de 500 pontos, obtendo na redação 720 pontos. “Hoje meu maior problema é que o curso que eu quero não tem em Itaporã e nem em Dourados, que é a cidade mais próxima. E eu não tenho como ir para Campo Grande”, lamenta.

O jovem aponta que além dessa indisponibilidade de cursos, outra dificuldade para ampliar o acesso do deficiente ao ensino superior é o preconceito. “É muito fácil culpar o governo [pela dificuldades de acesso as faculdades e universidades], mas é necessário que tomemos atitude e aceitemos que os direitos são iguais para todos e fazer isso ocorrer na prática”, afirma.

Enquanto não consegue realizar o sonho de cursar uma faculdade de jornalismo, Victor “ensaia” para trabalhar na profissão escrevendo em seu blog, o http://victorteixeiraaborda.blogspot.com.br/.

Victor, que sonha com a universidade; Geraldo que já está fazendo o curso que escolheu e Rosa, que terminou a faculdade e fez até pós-graduação (Foto: Arquivo Pessoa/Victor do Nascimento)Victor do Nascimento Teixeira sonha em fazer faculdade de Jornalismo e ensaia para o trabalho escrevendo em seu blog (Foto: Arquivo Pessoal/Victor do Nascimento)

Eu comecei com o blog em 12 de junho de 2013. Eu escrevo comentários sobre notícias, abordo muitas coisas que acontecem em nosso estado e fatos que descubro por conta própria, pesquisando no noticiário de outros estados e países. Para isso, eu utilizo também do meu interesse por línguas diferentes, que vai muito além do inglês. Aprecio, por exemplo, os idiomas do Leste Europeu e os da Escandinávia. Em todos os casos procuro analisar os acontecimentos de um modo mais aprofundado”, explica.

Políticas de inclusão

Segundo o Ministério da Educação (MEC), desde 2008 foi instituída a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Seu objetivo é promover a transformação dos atuais sistemas de ensino em sistemas educacionais inclusivos. Tem como estratégias a garantia do acesso e a permanência dos estudantes com deficiência, por meio de ações que visem à eliminação de barreiras físicas, pedagógicas e na comunicação, assim como como nos ambientes, tendo como foco a promoção da autonomia e a igualdade de direitos dos alunos com deficiência.

No caso do ensino superior, essa política visa assegurar as pessoas com deficiência o seu ingresso e as oportunidades de desenvolvimento pessoal, social e profissional, bem como não restringir sua participação em determinados ambientes e atividades em razão da deficiência.

Conforme o MEC, a política de acessibilidade no ensino superior está consolidada por uma ampla legislação composta por leis, decretos e normas, além da própria Constituição Federal de 1988 (veja a relação completa no infográfico abaixo).


Infográfico da legislação sobre acessibilidade no ensino superior brasileiro (Foto: Anderson Viegas/G1 MS)





















































Além disso, o ministério aponta que desde 2005 vem sendo executado nas instituições de ensino superior federais do país o Programa Incluir, que visa propor ações que garantam o acesso e a permanência das pessoas com deficiência nestas universidades.

Entre as principais ações do programa estão o estímulo a criação e a consolidação de núcleos de acessibilidade nas universidades federais. Esses núcleos respondem pela organização de ações que garantam a inclusão de pessoas com deficiência à vida acadêmica, eliminando barreiras pedagógicas, arquitetônicas e na comunicação, promovendo o cumprimento dos requisitos legais de acessibilidade.

Piso tátil e rampa de acesso em prédio do campus da UCDB, em Campo Grande (Foto: Anderson Viegas/G1 MS)Piso tátil e rampa de acesso em prédio do campus da UCDB, em Campo Grande (Foto: Anderson Viegas/G1 MS)




















Na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) foi criado em 2013, a Divisão de Acessibilidade e Ações Afirmativas (DIAF), que está ligada Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Assuntos Estudantis (Preae), para atender justamente os estudantes com deficiência.

A chefe do DIAF, professora Alexandra Ayach Anache, disse que a divisão trabalha focada em três eixos temáticos para o atendimento aos alunos com necessidades educativas especiais.

O primeiro é o da formação de profissionais, que visa levar a professores e técnicos da instituição, orientações e cursos que visem o desenvolvimento de práticas educacionais inclusivas e para o uso da Língua Brasileira de Sinais (Libras), tradutor ou intérprete de leitura do sistema Braille, serviços de audiodescrição e profissionais que atuam com tecnologias assistivas.

Já o segundo eixo, conforme a professora visa a adequação curricular da instituição e tem o objetivo da construção de grades que atendam a diversidade das características educacionais dos estudantes com deficiência, garantindo-lhes o acesso, a permanência e o máximo de autonomia para concluírem o curso superior.

O terceiro eixo de atuação da divisão, de acordo com Alexandra, é o da adequação da infraestrutura. Ela explicou que com boa parte da sua estrutura construída entre as décadas de 60 e 80, a UFMS tem passado nos últimos anos por diversas intervenções que visam tornar prédios, calçadas, espaços de convivência, estacionamentos e banheiros, entre outros, acessíveis.

Chefe do DIAF da UFMS, professora Alexandra Ayach Anache (Foto: Anderson Viegas/G1 MS)Chefe do DIAF da UFMS, professora Alexandra Ayach Anache (Foto: Anderson Viegas/G1 MS)


























Uma das principais ações neste eixo de atuação, conforme ela, foi a da implantação da Rota Acessível no campus de Campo Grande.  Por meio dessa iniciativa, foi feita uma readequação da rota mais utilizada pelos estudantes dentro da universidade, incluindo colocação de piso tátil, rampas e calçadas.

Entre 2014 e 2016, segundo dados levantados pelo DIAF, o número de alunos com necessidades educacionais especiais matriculados na UFMS aumentou 30,65%, passando de 137 estudantes para 179. Neste ano, o curso com a maior quantidade de pessoas com deficiência, de acordo com a divisão, é o de Matemática, com 17, mas outros 38 cursos da instituição têm pelo menos um aluno deficiente matriculado.

“A acessibilidade já avançou muito na instituição, mas é preciso ir além, avançar ainda mais com a transformação da divisão em um núcleo, com o aumento da estrutura para atendimento ao aluno, melhoria na acessibilidade da instituição e maior capacitação dos profissionais. É preciso evoluir”, ressaltou a professora.

A Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), uma instituição privada de ensino, também possui em sua estrutura uma unidade especifica para atender os estudantes com deficiência, o Núcleo de Apoio Pedagógico (NAP), que é vinculado a Pró-Reitoria de Ensino e Desenvolvimento (Proed).

A coordenadora do NAP, professora Maineide Zanotto Velasques, destaca que o núcleo trabalha basicamente para atender as necessidades dos alunos, capacitar os profissionais  e melhorar a acessibilidade da instituição.

No atendimento aos alunos, ela explica que é feito um trabalho de acolhida ao estudante com necessidades educacionais especiais, que envolve desde uma orientação dos colegas de sala até a capacitação dos profissionais que vão trabalhar com ele no dia a dia, como professores, por exemplo.

Coordenadora do NAP da UCDB, professora Maineide Zanotto Velasques (Foto: Anderson Viegas/G1 MS)Coordenadora do NAP da UCDB, professora Maineide Zanotto Velasques (Foto: Anderson Viegas/G1 MS)











Ela explica que em razão das dificuldades que cada aluno possui é definido o tipo de atendimento que ele receberá. “Um deficiente visual, por exemplo, vai precisar de textos em Braille ou de um equipamento que scaneie as páginas de um livro e depois leia para ele o que está escrito. Já um surdo precisará de uma intérprete de Libras, uma pessoa com paralisia cerebral demandará um acompanhante permanente em sala de aula, e assim por diante”, comenta.

Em relação as capacitações dos profissionais para atenderem aos alunos com necessidades educacionais especiais, a coordenadora do NAP comenta que esse é um trabalho constante, que é oferecido a professores e técnicos. É promovido por meio de oficinas e cursos que são realizados pela própria equipe de educadores da instituição e também por profissionais de entidades como o Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual (Capdv).

Banheiros adaptados para pessoas com deficiência no campus da UCDB em Campo Grande (Foto: Anderson Viegas/G1 MS)Banheiros adaptados para pessoas com deficiência no campus da UCDB em Campo Grande (Foto: Anderson Viegas/G1 MS)























Quanto a questão da infraestrutura para a acessibilidade, a coordenadora ressaltou que nos últimos anos a instituição fez uma série de adaptações para atender a demanda de alunos que apresentavam alguma dificuldade, com a implantação de rampas, banheiros adaptados, elevadores, sinalizadores em Braille e piso tátil em todos os setores da universidade, inclusive no ponto de ônibus.

Maineide ressalta que todo o trabalho desenvolvido na instituição com as pessoas com deficiência é voltado para estimular a autonomia. “Inicialmente eles sofrem para se adaptar, mas aos poucos, gradativamente vão se ajustando. Ocorre uma flexibilização da universiddae para ajudá-los a crescer como pessoas, a serem mais independentes e a se tornarem bons profissionais nas áreas em que escolherem para trabalhar”. Em 2016, conforme ela, a UCDB, tem 23 alunos com necessidades educacionais especiais matriculados em seus cursos.



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