terça-feira, 14 de maio de 2013

DIRETORA TRANSEXUAL DE COLÉGIO PÚBLICO DIZ TER DE "MATAR UM LEÃO POR SEGUNDO"

14/05/2013 - 03h00 

Atualizado às 11h54.

ESTELITA HASS CARAZZAI  

DE CURITIBA


Não há estatística oficial, mas a professora Laysa Machado, 41, gosta de dizer que é uma das únicas, senão a única, diretora transexual eleita democraticamente no ensino público no país. Há três anos, ela é diretora-adjunta de um colégio estadual de São José dos Pinhais (região metropolitana de Curitiba) --cargo para o qual foi reeleita em 2011, mesmo diante da "resistência de uma minoria", segundo ela. "Você tem que matar um leão por segundo. Se o hetero precisa ser o melhor, a diversidade tem que ser bilhões de vezes melhor", diz Laysa. Até chegar à direção, a paranaense, que nasceu com o gênero masculino mas diz sempre ter se sentido mulher, afirma ter convivido com a discriminação. 




Arquivo Pessoal
A transexual Laysa Machado, que dirige colégio desde 2009
A transexual Laysa Machado, que dirige colégio desde 2009



Formada em história e letras e professora concursada da rede estadual de ensino, Laysa relutou antes de assumir sua identidade. "Eu sublimava toda a minha angústia com os estudos", conta. Na cidade natal, no interior do Paraná, enfrentou rejeição da família e foi demitida do colégio católico em que lecionava sob acusação de "subversão" depois de sair em público com seu primeiro vestido, aos 27 anos. "Eu fui execrada. Perdi tudo: amigos, emprego." Laysa mudou-se para Curitiba, iniciou o tratamento hormonal e, quatro anos depois, fez a cirurgia de readequação genital. Para pagá-la, vendeu tudo o que tinha.

Hoje, Laysa é mulher inclusive no papel --conseguiu a retificação de seus documentos em 2007, na Justiça. No Colégio Estadual Chico Mendes, onde está desde 2004, ela diz que enfrentou preconceito especialmente dos colegas de trabalho. "Eram risinhos, chacotas. O pensamento de algumas pessoas era assim: como que pode travesti dando aula? Travesti tem que estar na prostituição, e não aqui." A discriminação, segundo ela, foi vencida aos poucos, às custas de trabalho. "Ela sofreu, mas sempre mostrou que, em primeiro lugar, era uma educadora", conta a colega Gisele Dalagnol, que elogia a pontualidade e o comprometimento de Laysa.

"Para o meu filho, ela é a melhor professora. É dinâmica, tem um jeito diferente de dar aulas", afirma a mãe Roseli de Moraes, cujo filho de dez anos é aluno de Laysa. Hoje, Laysa é casada, dá aulas de teatro, já ganhou prêmios como atriz amadora e sonha em trabalhar em novela. "Quero que alguém tenha coragem de me chamar." 



Reportagem retirada na íntegra:




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