Postado em: 13 jun 2013 às 15:23.
Tolerância também se aprende na escola. Casamento de professoras em colégio particular desperta debate sobre a necessidade de instituições de ensino abordarem de forma natural questões relativas à homossexualidade
Em uma sociedade marcada pela intolerância, uma escola na Asa Norte
deu exemplo de cidadania e respeito à diversidade ao servir de palco
para o casamento de duas professoras nas dependências do colégio. Na
ocasião, tratada com naturalidade entre a comunidade escolar, pouca
diferença fez para crianças, pais e docentes se o casal era de
homossexuais. A relação entre pessoas do mesmo sexo, que, para muitos
ainda é um tabu, deve ser tratada como uma situação normal dentro do
ambiente de aprendizagem e no contexto familiar, segundo especialistas
ouvidos pelo Correio. Também não há uma idade certa para tocar no
assunto com os pequenos e alguns defendem inclusive que a abordagem seja
feita já nos primeiros seis anos de vida de meninos e meninas.
Andressa e Dianne ficaram amigas
no trabalho e logo começaram a namorar: "As crianças pediram para ser nossas
daminhas e pajens" (Foto: Correio Braziliense)
Durante três meses, toda a comunidade da Vivendo e Aprendendo se
envolveu com os preparativos para o casamento de Andressa Vieira de
Oliveira, 24 anos, e Dianne Prestes, 26. “Foi uma bonita oportunidade de
trabalharmos valores como respeito e tolerância ao diferente. Mais do
que uma cerimônia, houve um processo de construção coletiva”, opinou a
mãe de uma ex-aluna do colégio e psicóloga Carla Dozzi, 36, moradora do
Lago Norte. Para ela, o tema deve ser tratado nas escolas como parte do
cotidiano já na primeira infância, que vai até os 7 anos. “Esse é um
momento em que as crianças não trazem preconceito, o afeto vem em
primeiro lugar”, completou.
Carla contou que o grupo de pais e alunos se reunia constantemente
para decidir qual roupa usaria na cerimônia, qual música seria
escolhida, além de detalhes da decoração da festa. Todos tocavam no
assunto com muita naturalidade. “Essa situação não causou estranhamento
algum, pelo contrário, ser dois homens, duas mulheres ou um homem e uma
mulher, não uma era uma questão para as crianças. O que tínhamos ali era
a celebração de duas pessoas queridas que estavam se unindo, não houve
constrangimento ou questionamento negativo”, afirmou a psicóloga.
A professora do Departamento de Serviço Social da Universidade de
Brasília (UnB) e coordenadora do Grupo de Trabalho de Combate à
Homofobia da instituição, Valdenizia Bento Peixoto, também defende que a
questão seja tratada na tenra infância, levando em conta apenas o nível
de cognição dos pequenos. “Uma criança de 2 anos, por exemplo, ainda
não vai entender muitos dos termos. Mas o debate deve ser inserido de
forma natural e não pode ser encarado como estranho ou anormal e fora do
padrão, mas como uma nova forma de sociabilidade e de família dentro da
sociedade”, explica.
Sobre como abordar o tema, Valdenizia sugere que os pais esperem o
filho perguntar e tirar dúvidas sobre o assunto. “A resposta deve ser
simples e natural, sem fantasias e, acima de tudo, combater
preconceitos”, reforçou. Para ela, familiares e educadores devem
trabalhar juntos nesse processo. “A escola tem o papel da educação
formal, mas é fundamental também na construção da personalidade das
crianças, desse sujeito que está se formando”, completou.
Na casa da professora Adriana Tosta Mendes, 40 anos, moradora da Asa
Norte, nunca foi preciso dar muitas explicações ao pequeno Tedros Tosta
Mendes de Oliveira, 6, sobre o tema. “Temos muitos amigos homossexuais e
convivemos bastante com eles. Somente uma vez ele perguntou se existia
casal de homens e nós dissemos que sim, foi o suficiente”, contou.
Para o presidente da Associação de Pais de Alunos das Instituições de
Ensino do Distrito Federal (Aspa-DF), Luis Claudio Megiorin, o assunto
pode ser tratado na escola desde que os pais sejam informados sobre como
se dará a abordagem. “Deve ser abordado do ponto de vista dos direitos
humanos, do respeito às pessoas. Somos contra qualquer tipo de
discriminação, social, racial ou de orientação sexual”, comentou.
“Foi uma bonita oportunidade de trabalharmos valores como respeito e tolerância ao diferente” Carla Dozzi, psicóloga
Thaís Paranhos, Correio Braziliense.
Reportagem retirada na íntegra:

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