Edição do dia 04/08/2013.
04/08/2013 - 21h24 - Atualizado em 04/08/2013 - 23h48.
Autismo era considerado uma condição rara, que atingia quatro indivíduos para cada 10 mil vivos. Hoje, a pesquisa mais recente fala em um para cada 92.
Neste domingo (4), o Fantástico estreou a série ‘Autismo: Universo
Particular’. Para produzir a série, Dráuzio Varella esteve casa de
vários pacientes portadores desse transtorno para mostrar como vivem
essas famílias e essas crianças. No Paraná, há uma família com dois filhos em que o autismo se manifesta
de uma forma bem diferente em cada um dos irmãos. O pai passa as noites
segurando o filho enquanto ele dorme. Kevin não para de se mexer e se bate repetidamente. Durante a noite,
ele acorda querendo tomar banho, porque só isso o acalma por algum
tempo. “Já tive vontade até de me matar pela situação de bater nele,
dele se agredir e não ter o que fazer, entendeu? Já passou pela minha
cabeça de fazer qualquer besteira, então é difícil”, conta o pai.
Os pais de Kevin estão em busca do diagnóstico de que o filho tenha
autismo, um distúrbio que desafia a ciência. Não se sabe as suas causas e
ele é cada vez mais comum. Especialistas calculam que o autismo atinja
1% das crianças. “O autismo hoje é considerado um distúrbio no desenvolvimento causado
por condições genéticas e ambientais e que, na verdade, não é uma
condição só. Hoje, a gente fala em um conjunto de autismos pela enorme
variabilidade que ele tem. A característica fundamental dos autismos é o
prejuízo na comunicação, na interação social e na presença de
comportamentos peculiares. Comportamentos repetitivos sem muito
significado, que os indivíduos parecem ficar realizando sem uma
finalidade muito clara”, explica o neuropediatra especialista em autismo
Salomão Schwartzman.
O médico explica que o autismo era considerado uma condição rara, que
atingia quatro indivíduos para cada 10 mil vivos. Ele aponta que a
pesquisa mais recente fala em um para cada 92. “A gente está falando de
uma coisa que não é rara, é extremamente comum. Você encontra na escola,
no escritório, no seu consultório, identifique ou não”, avalia
Schwartzman. Segundo o especialista, o autista é metódico. “O mundo ideal é aquele
em que as coisas não se modificam. Eu acordo na mesma hora, visto a
mesma roupa, tomo café do mesmo jeito, no mesmo prato, com a mesma
xícara. Qualquer variação disso traz um extremo desconforto”, explica o
neuropediatra.
Uma família que vive o autismo muito intimamente mora em Teófilo Otoni,
em Minas Gerais. Renato, o pai, sempre foi meio esquisitão. “Desde
criança eu achava ser estranho normal, mas porque eu tirava por mim.
Para mim, todo mundo era estranho”, conta ele. Renato casou com Ana
Maria, que já tinha uma filha, Fernanda. Juntos, eles tiveram Mateus e
Máximo – os dois com autismo – e Bárbara, a mais nova. “Eu já estou mais
do que acostumada a lidar com eles. Na verdade, acho eles mais fáceis
por causa da questão da rotina”, diz Ana. Mas mesmo as atividades mais rotineiras podem ser um imenso desafio
para pessoas com autismo. Escolher um conjunto de roupas para trocar o
filho pode ser uma tarefa impossível.
“É muita opção. Combinação de cor, de não sei o que... Sempre me visto
pelo conforto e, exatamente para não ter esse problema de combinação,
visto uma cor só”, brinca Renato. Os humanos são animais sociais. Se não tivessem formado grupos, os
antepassados teriam desaparecido da face da Terra. Mas há pessoas com
transtorno de desenvolvimento que apresentam enorme dificuldade de
relacionamento social. Para elas, sons, movimentos, olhares e
solicitações dos outros provocam um curto-circuito que as deixa
desorientadas e aflitas. O autismo é um transtorno desse tipo, no qual a
rede de neurônios que controla, no cérebro, a comunicação e os contatos
sociais está desorganizada. “Diria que a marca registrada do autismo é a
falta de desejo ou de possibilidade de interagir com o outro”, diz
Schwartzman.
Atualmente, o autismo é considerado um distúrbio com um amplo espectro
de manifestações, desde as crianças, como Kevin e Máximo, que têm
enormes dificuldades de responder aos estímulos, até pessoas que têm
problemas de convívio social, mas são extremamente talentosas em áreas
específicas. O cérebro deles funciona de forma única, que ainda é um
mistério para a ciência. Em um quarto cheio de circuitos eletrônicos e fórmulas matemáticas, um
autista genial é Jacob Barnett. Ele está prestes a se tornar mestre em
física quântica aos 14 anos. Ele dá aulas na internet desde pequeno e
hoje participa de pesquisas na Universidade de Indiana, nos Estados
Unidos, e pode ganhar o Prêmio Nobel.
O caso dos irmãos de Curitiba Nicholas, de 13 anos, e Thomas, de 15, é
parecido. O mais velho, que já aos 3 anos demonstrava facilidade com
números, já fez diversos cursos em nível universitário nas áreas de
matemática e ciência da computação. Segundo o neuropediatra Salomão Schwartzman, o impacto de um filho
autista em uma família pode ser brutal. “É algo muito difícil de você
lidar. Quando você tem um filho que é um deficiente intelectual, por
qualquer razão que seja, depois de algum tempo, por maior que seja o
luto que você tem com relação a isso, você se habitua a uma criança que
bem ou mal tem uma linha de base. Ou seja, ele tem prejuízos, mas que
depois de algum tempo você sabe quais são e passa a conviver bem com
isto”, diz.
Na novela ‘Amor à vida’, a atriz Bruna Linzmeyer interpreta Linda, uma
garota com autismo. “Eu tinha ouvido falar muito pouco sobre o autismo,
porque é um tema muito pouco conhecido pela nossa sociedade. A gente
criou uma linguagem dessa personagem se comunicar, como ela
dramaturgicamente se envolve em cena. Isso é o mais difícil. Cada
detalhe é muito importante”, conta ela. Na próxima semana, o Fantástico investiga o diagnóstico de autismo:
como descobrimos que alguém tem autismo se nem sabemos ao certo o que
provoca esse distúrbio? Não perca!!!
Reportagem retirada na íntegra:
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