11/11/2013 - 03h30.
JAIRO MARQUES
DE SÃO PAULO
Todos os dias, pelo menos três denúncias de violência contra
pessoas com deficiência são registradas no Estado de São Paulo pelos serviços
federal e estadual de notificação. O número disparou desde 2011, quando as
anotações começaram. São casos de maus-tratos, abandono, violência psicológica,
violência física, abuso e exploração sexual, além de apropriação de recursos
financeiros dos deficientes.
Em 2011, quando o serviço federal Disque 100 começou a
recolher esse tipo de denúncia, 208 relatos foram registrados pelos atendentes.
O número, que se refere apenas ao Estado de São Paulo, saltou para 558 em 2012.
Se somado aos registros do 181, o Disque Denúncia estadual, em funcionamento
desde 2012, o total de ocorrências é de 1.209. Diante dos dados, uma ação integrada de prevenção e combate à
violência contra pessoas com deficiência foi lançada no começo do mês. Seis
secretarias de Estado (Saúde, Direitos das Pessoa com Deficiência, Segurança
Pública, Justiça e Cidadania, Educação e Assistência Social), além da
Defensoria Pública e do Ministério Público, trabalharão em conjunto.
| Editoria de Arte/Folhapress |
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AÇÕES
Serão 23 ações que envolvem: aperfeiçoar
o sistema de notificação e aumentar os canais de denúncia; informar e treinar
servidores públicos sobre o que é deficiência, como identificá-la e qual
encaminhamento deve ser feito quando ocorre, além de prevenção e atendimento. Também estão previstas campanhas de
conscientização pública, oferta de apoio psicológico e encaminhamento de
vítimas, familiares e até de agressores a cursos profissionalizantes ou
programas de geração de renda.
INVISIBILIDADE
"Ainda é muito grande a
invisibilidade dessa situação de violência para a sociedade. É preciso mostrar
que ela existe para poder combatê-la, a exemplo do que foi feito para a
proteção da mulher, da criança", afirma Linamara Rizzo Batisttella,
secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência. O levantamento revelou que, em 72% dos
casos, o agressor é um membro da família da vítima. Já em 14% das ocorrências, ele
é um agente público. Em 11% das denúncias, a violência foi cometida por uma
pessoa sem relação com o deficiente.
DIFÍCIL DE DENUNCIAR
"Os dados mexem com a humanidade de
qualquer um e, infelizmente, ainda são subnotificados. Um surdo que queira
fazer uma denúncia vai ter muita dificuldade, assim como alguém com deficiência
intelectual. Isso terá de ser mudado, e rapidamente", diz a secretária
Linamara Rizzo Battistella.
Psicóloga diz sofrer
violência dentro e fora de casa; aneurisma afetou os movimento de todo o lado
esquerdo de seu corpo.
Reportagem retirada na íntegra:
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