04/03/15 06:30 - 04/03/15 12:34.
Pedro Zuazo.
Ao constatar que a escola regular onde seu filho estava matriculado não contava com estrutura e nem profissionais preparados para receber um aluno especial, o autônomo Sérgio Ricardo Meira de Souza, de 36 anos, tomou uma decisão: transferiu o menino para uma escola especial. Este é apenas um exemplo de uma preocupante tendência que ocorre na rede municipal de ensino do Rio: na contramão da proposta de educação inclusiva, o número de matrículas de portadores de deficiência em classes comuns cai, enquanto cresce a procura pelas classes especiais.
— Vi que meu filho não estava evoluindo. Não tinha nem mediador para ele, o único jeito foi fazer a transferência — diz Ricardo, que mudou o filho da Escola Municipal Tia Ciata, no Centro, para a Escola Especial Municipal Francisco de Castro, no Maracanã.
A educação inclusiva — que prevê a universalização do acesso à educação básica na rede regular de ensino — é uma das metas do Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado pela presidente Dilma Rousseff no ano passado e com vigência até 2024.
Na rede municipal do Rio, o número de matrículas de alunos especiais em classes comuns vinha subindo desde 2007, mas começou a cair nos últimos anos, como mostram os dados do Censo Escolar. De 2012 para 2013, caiu de 58,4% para 56,6%. Em números absolutos, foram 229 matrículas a menos. O contrário aconteceu com o número de matrículas em classes especiais: no mesmo período, subiu de 34,8% para 36,8%. Trocando em miúdos, foi uma injeção de 278 alunos a mais nas classes especiais.
Além da Escola Tia Ciata, pais de alunos especiais enfrentam dificuldades em pelo menos duas outras instituições da rede regular: Escola Municipal Júlio de Castilhos, na Gávea, e Escola Municipal Friedenreich, no Maracanã.
— Meu filho começou a estudar na Friedenreich há um ano e precisei lutar para a direção fazer obras de acessibilidade. Só agora consegui um mediador para ele, mesmo assim é um estagiário e não um concursado — reclama Maria Teresa de Souza, de 40 anos.
A Secretaria municipal de Educação afirma que já vem adotando os procedimentos necessários para alocação dos profissionais nas unidades escolares da rede. O órgão ressalta ainda que s Gerências de Educação das Coordenadorias Regionais, em conjunto com o Instituto Municipal Helena Antipoff, desempenham ação de orientação e capacitação junto aos estagiários quanto à atuação e mediação no atendimento aos alunos da Educação Especial.
Reportagem retirada na íntegra:
Nenhum comentário:
Postar um comentário