Eliziane, 15 anos, só conseguiu professor auxiliar que fala a Língua Brasileira de Sinais neste ano
Elizabete da Silveira comemora progresso da filha Eliziane, 15 anos, depois da chegada de uma professora que fala Libras.
Foto:
Cristiano Estrela / Agencia RBS
Garantir a matrícula de Eliziane Carmem da Silveira, 15 anos, em uma
escola foi fácil. Difícil foi fazer com que a menina tivesse o
atendimento que precisava. A família fez tentativas em três colégios
públicos. A garota conseguiu se adaptar na escola estadual Tenente
Almachio, onde estuda na 8ª série e que fica no Bairro Tapera, em
Florianópolis.
Com o acesso à educação amparado pela legislação, as matrículas em
Santa Catarina dobraram em cinco anos. Eram 9,5 mil em 2007 e no último
Censo Escolar divulgado pelo Ministério da Educação, em 2011, somavam
18,3 mil. Mas garantir o acesso não basta, de acordo com a legislação, a
educação especial deve assegurar apoio para eliminar barreiras que
impeçam o aprendizado de estudantes com deficiência.
Um destes apoios é o segundo professor em sala de aula, que deve ter
formação voltada à educação especial. No caso de Eliziane, o auxiliar
sempre foi garantido, mas apenas neste ano é que ela recebeu uma
professora que fala a Língua Brasileira de Sinais (Libras). A mãe da
menina, Elizabete da Silveira, explica que por mais que a direção da
escola avise que Eliziane é surda, o segundo professor é escolhido
apenas por sorteio.
Com a chegada da professora que conhece Libras, a mudança no
aprendizado da menina é visível e comemorado pela mãe. Há poucos dias,
foi a primeira vez que Liz conseguiu assistir a uma aula inteira, sem se
levantar e sair. Para Elizabete, é a prova que faltava a comunicação
entre aluno e professor.
A outra questão levantada pela mãe é a falta de um profissional para a
sala de recursos multifuncionais da escola — onde ficam jogos e
equipamentos necessários para estimular crianças com deficiência. De
acordo com ela, é um espaço amplo que poderia ser bem aproveitado pelos
alunos com deficiência, mas que aguarda a vinda de um responsável.
O que diz a legislação
O decreto 7.611 de novembro de 2011 apresenta aspectos sobre a educação especial, entre eles:
— garantia de um sistema educacional inclusivo em todos os níveis, sem discriminação e com base na igualdade de oportunidades
— não exclusão do sistema educacional geral sob alegação de deficiência
— oferta de apoio necessário com vistas a facilitar sua efetiva educação
— a educação especial deve garantir os serviços de apoio
especializado voltado a eliminar as barreiras que possam obstruir o
processo de escolarização de estudantes com deficiência, transtornos
globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação
Reportagem retirada na íntegra:
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