11/11/2013 - 09h54 - Atualizado
em 11/11/2013 - 10h15.
Gabriela Lima Do G1
GO, com informações da TV Anhanguera.
Estudante de
27 anos concluirá curso de história em dezembro, na UEG.
Sem coordenação motora, ela digita com a ponta do nariz, em Goianésia.
Uma jovem de 27 anos é exemplo de superação em
Goianésia, a 198 quilômetros de Goiânia. Lívia Barbosa Cruz tem paralisia
cerebral e está se formando em história na Universidade Estadual de Goiás. A
jovem, que mexe apenas com a cabeça e fala com dificuldade, concluirá o curso
no próximo mês e já se prepara para conquistar novos objetivos: "Quero
publicar um livro que estou escrevendo e fazer uma pós-graduação".
Lívia teve paralisia cerebral ao nascer e não
desenvolveu a coordenação motora. Sem dominar as mãos, ela precisou encontrar
outra forma de escrever a monografia e o livro: digitar com a ponta do nariz e
o queixo. O irmão Jeferson Barbosa Cruz, de 22 anos, ensinou o básico sobre o
computador e ela, sozinha, aprendeu a mexer no Twitter e Facebook. A estudante
gosta de usar as redes sociais para se comunicar com os amigos e com os primos
que moram em outras cidades.
Em entrevista ao G1, pelo Facebook, a
jovem conta que chegar até o fim do curso não foi fácil. Além de ter os
movimentos do corpo limitados, também sofreu preconceito. "Tive problemas,
mas venci e hoje estou muito feliz", comemora a estudante que escolheu a
inclusão no ensino superior como tema para a monografia.
Professora do curso
de história, Edilze de Fátima Faria elogia a aluna. "A deficiência física
não afeta a inteligência dela. Ela é muito esforçada. Ela mora longe da
universidade e vem todos os dias em uma cadeira [de rodas]. É um exemplo de
vida", diz.
Lívia com os
colegas de faculdade na UEG de Goianésia (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Viciada em livros", como a
própria Lívia diz, ela agora está escrevendo o seu próprio romance. A jovem
adianta que o trabalho está em fase de conclusão e contará a história de amores
platônicos. Segundo ela, a obra é baseada em fatos reais, tanto de casos que
ela tomou conhecimento quanto dela mesma. "Quem nunca amou em
segredo?", questiona.
Apoio
Para realizar o sonho de fazer um
curso superior, Lívia contou com a ajuda de algumas pessoas. O apoio principal
vem da mãe, Cleones Barbosa dos Santos, de 43 anos, que desde 2009 leva a filha
todos os dias para a universidade. De segunda a sexta-feira, Cleones anda cerca
de três quilômetros a pé, no caminho de ida e volta para a UEG, empurrando a
cadeira de rodas da filha. Enquanto Lívia assiste aula, ela espera do lado de
fora. Para passar o tempo, faz bordados e crochê. Para a mãe, todo o esforço
valeu a pena: "Eu não tenho palavras para dizer o que sinto. Ela conseguiu
mostrar o valor dela".
Cleones conta que ficou grávida de Lívia aos 16 anos e parou de estudar no
terceiro ano do ensino fundamental. Mas, ao ajudar a filha, acabou aprendendo e
hoje até se expressa melhor. "Ele sempre gostou de ler e se interessou
pelos estudos. Às vezes eu copiava a tarefa para ela e fui aprendendo. Tenho
formação em ser mãe", diz. A filha retribui a dedicação da mãe: "Sem
ela seria impossível chegar onde estou hoje".
Cleones Barbosa
leva a filha todos os dias para a universidade
(Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Antes da faculdade, ela contou com o
auxílio do irmão. Era Jeferson quem levava a irmã para a escola.
"Estudávamos juntos até o terceiro ano do ensino médio", conta a
universitária. Os dois tentaram o vestibular, mas só Lívia seguiu em frente.
No ensino médio, Lívia descobriu a paixão pela história nas aulas de Valdelice
Camilo, sua grande incentivadora e também professora na UEG. Na universidade, a
estudante também destaca as aulas do professor Paulo Bernardes.
Professora de apoio
Quando Lívia conseguiu a aprovação no
vestibular, o campus da UEG de Goianésia precisou fazer algumas adequações para
recebê-la. A sala de aula foi transferida do primeiro andar para o térreo a
universidade teve de contratar uma professora de apoio. A contratação da
docente especial foi a parte mais difícil, segundo a mãe de Lívia. A jovem
precisa da professora de apoio para sentar ao lado dela e copiar o conteúdo nos
dias de trabalho. "Foi um trabalhão danado para conseguir, porque não
tinha esse cargo lá. Mas a direção conseguiu contratar uma professora de Libras
e conciliar os horários para que ela pudesse atender a Lívia", relata
Cleones.
Reportagem retirada na íntegra:
Uma jovem de 27 anos é exemplo de superação em
Goianésia, a 198 quilômetros de Goiânia. Lívia Barbosa Cruz tem paralisia
cerebral e está se formando em história na Universidade Estadual de Goiás. A
jovem, que mexe apenas com a cabeça e fala com dificuldade, concluirá o curso
no próximo mês e já se prepara para conquistar novos objetivos: "Quero
publicar um livro que estou escrevendo e fazer uma pós-graduação".
Lívia teve paralisia cerebral ao nascer e não
desenvolveu a coordenação motora. Sem dominar as mãos, ela precisou encontrar
outra forma de escrever a monografia e o livro: digitar com a ponta do nariz e
o queixo. O irmão Jeferson Barbosa Cruz, de 22 anos, ensinou o básico sobre o
computador e ela, sozinha, aprendeu a mexer no Twitter e Facebook. A estudante
gosta de usar as redes sociais para se comunicar com os amigos e com os primos
que moram em outras cidades.
Em entrevista ao G1, pelo Facebook, a
jovem conta que chegar até o fim do curso não foi fácil. Além de ter os
movimentos do corpo limitados, também sofreu preconceito. "Tive problemas,
mas venci e hoje estou muito feliz", comemora a estudante que escolheu a
inclusão no ensino superior como tema para a monografia.
Professora do curso de história, Edilze de Fátima Faria elogia a aluna. "A deficiência física não afeta a inteligência dela. Ela é muito esforçada. Ela mora longe da universidade e vem todos os dias em uma cadeira [de rodas]. É um exemplo de vida", diz.
Professora do curso de história, Edilze de Fátima Faria elogia a aluna. "A deficiência física não afeta a inteligência dela. Ela é muito esforçada. Ela mora longe da universidade e vem todos os dias em uma cadeira [de rodas]. É um exemplo de vida", diz.
Lívia com os
colegas de faculdade na UEG de Goianésia (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Viciada em livros", como a
própria Lívia diz, ela agora está escrevendo o seu próprio romance. A jovem
adianta que o trabalho está em fase de conclusão e contará a história de amores
platônicos. Segundo ela, a obra é baseada em fatos reais, tanto de casos que
ela tomou conhecimento quanto dela mesma. "Quem nunca amou em
segredo?", questiona.
Apoio
Para realizar o sonho de fazer um
curso superior, Lívia contou com a ajuda de algumas pessoas. O apoio principal
vem da mãe, Cleones Barbosa dos Santos, de 43 anos, que desde 2009 leva a filha
todos os dias para a universidade. De segunda a sexta-feira, Cleones anda cerca
de três quilômetros a pé, no caminho de ida e volta para a UEG, empurrando a
cadeira de rodas da filha. Enquanto Lívia assiste aula, ela espera do lado de
fora. Para passar o tempo, faz bordados e crochê. Para a mãe, todo o esforço
valeu a pena: "Eu não tenho palavras para dizer o que sinto. Ela conseguiu
mostrar o valor dela".
Cleones conta que ficou grávida de Lívia aos 16 anos e parou de estudar no terceiro ano do ensino fundamental. Mas, ao ajudar a filha, acabou aprendendo e hoje até se expressa melhor. "Ele sempre gostou de ler e se interessou pelos estudos. Às vezes eu copiava a tarefa para ela e fui aprendendo. Tenho formação em ser mãe", diz. A filha retribui a dedicação da mãe: "Sem ela seria impossível chegar onde estou hoje".
Cleones conta que ficou grávida de Lívia aos 16 anos e parou de estudar no terceiro ano do ensino fundamental. Mas, ao ajudar a filha, acabou aprendendo e hoje até se expressa melhor. "Ele sempre gostou de ler e se interessou pelos estudos. Às vezes eu copiava a tarefa para ela e fui aprendendo. Tenho formação em ser mãe", diz. A filha retribui a dedicação da mãe: "Sem ela seria impossível chegar onde estou hoje".
(Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Antes da faculdade, ela contou com o
auxílio do irmão. Era Jeferson quem levava a irmã para a escola.
"Estudávamos juntos até o terceiro ano do ensino médio", conta a
universitária. Os dois tentaram o vestibular, mas só Lívia seguiu em frente.
No ensino médio, Lívia descobriu a paixão pela história nas aulas de Valdelice Camilo, sua grande incentivadora e também professora na UEG. Na universidade, a estudante também destaca as aulas do professor Paulo Bernardes.
No ensino médio, Lívia descobriu a paixão pela história nas aulas de Valdelice Camilo, sua grande incentivadora e também professora na UEG. Na universidade, a estudante também destaca as aulas do professor Paulo Bernardes.
Professora de apoio
Quando Lívia conseguiu a aprovação no
vestibular, o campus da UEG de Goianésia precisou fazer algumas adequações para
recebê-la. A sala de aula foi transferida do primeiro andar para o térreo a
universidade teve de contratar uma professora de apoio. A contratação da
docente especial foi a parte mais difícil, segundo a mãe de Lívia. A jovem
precisa da professora de apoio para sentar ao lado dela e copiar o conteúdo nos
dias de trabalho. "Foi um trabalhão danado para conseguir, porque não
tinha esse cargo lá. Mas a direção conseguiu contratar uma professora de Libras
e conciliar os horários para que ela pudesse atender a Lívia", relata
Cleones.
Reportagem retirada na íntegra:


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